segunda-feira, 28 de março de 2011

O Canto das Sereias

Estou em uma fase meio saudosista, relembrando coisas boas que sempre me fazem viajar no tempo e acabam me trazendo inspiração. Recentemente comprei a minissérie "O Canto das Sereias", que foi exibida pela extinta Rede Manchete em julho de 1990. Mais uma belíssima obra audiovisual para meu acervo.

De autoria de Paulo César Coutinho, a história de "O Canto das Sereias" mostrava o romance do escritor Ulisses (José de Abreu) com Teoxípe (Ingra Liberato), de três mil anos, uma das três irmãs sereias da trama. As outras duas sereias eram Parthenope (Nani Venâncio) e Agaupe (Andréia Fetter).

Além das belíssimas atrizes que interpretaram as sereias, a minissérie também exaltava a magia e as belezas da ilha de Fernando de Noronha, onde foi gravada. Um mago e uma feiticeira, dois personagens que deram um charme a mais a trama, com textos repletos de poesia e de mensagens que falavam sobre magia, paganismo e new age, algo que é bem compreensível se analisarmos o boom esotérico que ocorreu na época.

Além do romance entre o escritor Ulisses e a sereia Teoxíope, as sereias também despertam a paixão em outros dois homens das redondezas, que são escolhidos por elas e são iniciados no mundo da magia. Um romance arriscado também ocorre entre Sophrosine e seu enteado Telêmaco, filho de Ulisses, de quem é madrasta. 

A trilha sonora dessa minissérie é no estilo new age, do músico Marcus Viana, que atualmente já é bem conhecido por compor inesquecíveis trilhas de novelas, uma dessas trilhas marcantes foi a da novela "O Clone", reexibida em 2011.

Resumindo, a minissérie tinha uma trama lenta, com poucas falas e muitas metáforas. Muitas imagens belas, muita poesia e muita magia: ingredientes que encantaram muitos e despertaram a repugnância de etnocêntricos com dificuldade para interpretar mensagens poéticas.
Eu achei que, apesar de lenta, se o expectador tiver a sensibilidade um pouco aguçada poderá extrair uma bela mensagem da trama, que traz um fundo de ecologia, respeito a diversidade religiosa, dentre outros subtemas.


A seguir, um vídeo com a abertura e algumas imagens da minissérie.



segunda-feira, 21 de março de 2011

Laços de Fé

"Laços de Fé", este é o sugestivo nome da exposição que reúne objetos de culto e fotos da devoção de romeiros católicos.
Tendo percorrido várias cidades, a exposição chega a Casa da Cultura de Teresina, permitindo que o público da capital aprecie a beleza e a singularidade de momentos, objetos e símbolos devocionais.
O padre Ricardo Régis, natural de Juazeiro do Norte, é o artista responsável pela exposição que, no período de três anos, já foi mostrada em 26 galerias de 12 estados brasileiros.

domingo, 6 de março de 2011

A aceitação do paganismo


 A maioria das pessoas, quando questionadas sobre serem ou não tolerantes em relação a religião, afirmam que sim, que respeitam todas as crenças e que defendem a liberdade religiosa, mas será que isso tudo é verdade ou é só demagogia? 

Eu confesso que tenho minhas dúvidas!

Recentemente estou podendo sentir na pele o peso da discriminação, não pelo fato de que sou pagão, mas pelo fato de que estou produzindo um documentário sobre tema. Estava em uma verdadeira odisséia em busca de apoio para a produção, mas esbarrei em mais obstáculos do que previa. Quando fui até algumas empresas em busca de parcerias, não me mostrei como pagão, mas como pesquisador. 

Apresentei o projeto e mostrei o que os apoiadores ganhariam apoiando o projeto. Pois bem, alguns empresários e possíveis apoiadores até confessaram que gostaram do projeto, mas afirmaram que não poderiam apoiar algo do tipo. Para ser mais claro, ouvi frases do tipo:

"Sabe como é rapaz... fica complicado envolver o nome da empresa com algo chamado Paganismo"

Perguntei a mim mesmo o motivo que impediria uma empresa de envolver sua marca com um movimento cultural e transhistórico como o paganismo. 

Será que paganismo é algo tão sujo a ponto de sujar o nome de uma empresa? Será que se eu estivesse produzindo um documentário sobre a igreja, sobre os judeus ou sobre os evangélicos eu também ouviria este tipo de frase? Será que a inquisição acabou mesmo ou está apenas disfarçada? Discriminação é apenas uma desculpa para disfarçar o preconceito, mas comigo não cola.

Pagãos também são consumidores! Mesmo que o dono de uma empresa seja cristão ou de qualquer outra crença, isso não o impede de envolver seu nome com outros movimentos culturais, afinal de contas, não são apenas católicos ou evangélicos que se utilizam de alguns serviços, como eu já disse, o mercado consumidor é bem variado.

Me pergunto quantos pagãos ainda precisarão ser "queimados" na fogueira até que pensamentos discriminatórios sejam banidos de vez do nosso convívio. Será que não bastam os milhares que já morreram em forcas e fogueiras inquisitórias?

Logicamente eu estaria falando besteira se eu tivesse ido buscar o apoio de empresas que tem públicos religiosos limitados, mas esse não foi meu caso. Apresentei propostas de parceria para empresas que atuam em áreas relacionadas (direta ou indiretamente) com o tema. Mas como nem todos tem uma visão empreendedora, não se pode agir sozinho. Apesar de tantas limitações pelas quais estou sendo submetido, não desisto. Às vezes surgem limitações financeiras, mas essas eu dou um jeito, para mim a pior limitação é a limitação da mente das pessoas que pensam pequeno, que insistem com atitudes discriminatórias e mesquinhas e que, com esse tipo de atitude, só tem a perder.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Produzindo um documentário

Nos últimos meses estive (e ainda estou) me empenhando bastante para a produção de um documentário, por isso reduzi um pouco as postagens aqui, por falta de tempo.

"A Teia Pagã" é um projeto que visa retratar, em um documentário audiovisual, as manifestações neopagãs piauienses e a relação que as mesmas estabelecem com os veículos midiáticos, em especial com a internet. Sob minha direção, o documentário começou a ser gravado em janeiro de 2011 e sua conclusão está prevista para Junho deste ano.

A partir do momento em que a internet passa a ser um veículo midiático de fundamental importância para o intercâmbio e a difusão do paganismo no Piauí, essa peculiar relação merece ser discutida.
Através de uma pesquisa de campo qualitativa que resultará em um documentário, serão abordados os usos e a importância das ferramentas virtuais para o grupo estudado. Para fornecer uma visão mais ampla a respeito desse fenômeno no Piauí, estão sendo realizadas entrevistas com membros do movimento pagão em municípios ao norte e ao sul do Estado, nas cidades de Teresina, Floriano, Paulistana, Piracuruca e Parnaíba, onde serão coletados depoimentos que revelem as formas de uso da internet como mecanismo de intercâmbio e difusão pagã, além de espaço de socialização do próprio grupo.
Essa pesquisa se propõe a mostrar as relações entre os pagãos locais e a mídia virtual, com o registro dos depoimentos em vídeo, para que se possa analisar e compreender o processo de manutenção da religiosidade pagã no Piauí, possibilitado pela internet.

Com a produção do documentário será possível uma análise do perfil do internauta pagão piauiense, bem como saber os usos e a atribuição de significados que esses mesmos pagãos dão a ferramenta internet. Para melhor entender esse fenômeno, o documentário pretende mostrar onde e como vivem os membros desse grupo, como conheceram a religiosidade, o que levou cada um a fazer parte do movimento, como ocorre o intercâmbio através da internet. Também é fundamental esclarecer um pouco para os expectadores a respeito do que é o paganismo e a forma como essa religiosidade estrangeira chegou ao Piauí, por isso esses pontos também serão abordados pelo documentário.
Para a realização das gravações, também serão realizadas entrevistas com estudiosos de comunicação e antropologia, para fornecer suas respectivas opiniões (olhares) sobre a situação em análise.
O documentário a ser produzido é uma oportunidade de compartilhar com os expectadores algo que nunca foi mostrado por nenhum outro documentário produzido no Piauí, ou seja, o paganismo piauiense como manifestação religiosa importada, mas que teve alguns de seus elementos e práticas adaptados quando chegou ao Estado. Um movimento que tem na internet um importante espaço de intercâmbio e socialização, através dos blogs, chats, fóruns, sites, comunidades, downloads e outras ferramentas virtuais.


Objetivo Geral do Documentário:
Proporcionar um documentário sobre o paganismo no Piauí, tendo como foco os pagãos que se utilizam da internet como principal veículo de divulgação desta religiosidade no Estado, mostrando suas relações com a mídia virtual e a importância.

Objetivos específicos:
a) Gerar discussões acerca da abordagem do tema paganismo pela mídia;
b) Proporcionar uma análise da importância que a internet tem para o grupo estudado;
c) Proporcionar um material de registro do paganismo no Estado, com foco na relação entre pagãos e internet no Piauí.

A importância do Tema:
A pesquisa será uma oportunidade de entender melhor os motivos que apontam a internet como ferramenta midiática fundamental para a manutenção e interação entre os membros da manifestação estudada. O tema paganismo e sua relação com a internet já serviu como objeto de estudo para diversas pesquisas acadêmicas, o que, de certa forma, revela a importância dessa discussão pela comunidade acadêmica, em especial pelos estudiosos de comunicação, que devem estar atentos as relações entre mídia e os papéis que muitas vezes essas mídias tem dentro de um grupo.
Uma análise mais detalhada, que envolve o estudo do uso da internet pelos pagãos dentro do contexto piauiense, fornece a este trabalho um caráter de ineditismo. Para os casos particulares de membros do movimento, o estudo possui importância a partir do momento em que se propõe a clarificar o paganismo no Estado, dando uma oportunidade de registro jornalistico a própria manifestação dentro do contexto religioso local.
Por todos esses fatores citados anteriormente, tanto a comunidade acadêmica quanto os membros do próprio grupo estudado ganham com a pesquisa. A abordagem também oferece a possibilidade de discussão sobre alguns pontos da realidade tratada pelo tema proposto, pois intenta gerar discussões e reflexões a respeito de problemas apresentados nos relatos de membros do movimento, problemas esses envolvendo situações de hostilidade e preconceito, gerados a partir da crença brasileira na figura da bruxa como portadora do mal. 
Em relação ao espaço geográfico onde será realizada a pesquisa, foram selecionadas algumas cidades piauienses, pelo fato de que, juntas, possibilitarão uma análise mais geral sobre a situação pesquisada. O desenvolvimento desse estudo possui a finalidade de aumentar o conhecimento sobre a área estudada, além de contribuir com material científco sobre o tema, possibilitando que a comunidade acadêmica tenha informações adicionais para estudos posteriores dentro da temática. 

"La Rete delle Streghe" é o título italiano do documentário piauiense, que após a finalização, prevista para maio, receberá legendas em quatro idiomas (inglês, italiano, espanhol e português). As gravações em duas cidades piauienses já foram concluídas, mas ainda faltam três cidades para serem visitadas: Piracuruca, Parnaíba e Floriano. A seguir, confira o trailler do documentário, com subtítulos em italiano.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Exposição de Gravuras em Teresina


Você gosta de arte? Se a resposta é positiva então tenho um convite especial a você, gostaria de lhe convidar para a abertura da exposição "UBERLÂNDIA.com.PI", que trará diversas obras e atividades relacionadas a gravura. A abertura do evento será realizada no dia 02/02/2011, às 9:00h da manhã, na Casa da Cultura de Teresina.

Durante a ocasião os participantes terão acesso a oficinas, minicursos de gravura e diversas apresentações culturais. Diversos artistas piauienses e mineiros participam da exposição, que estará aberta ao público até o dia 28, com entrada franca.

Será uma grande oportunidade para conhecer o trabalho de artistas como Mara França (MG), Sílvia Cruz (MG), Vitor Sampaio (PI), Gabriel Archanjo (PI), dentre outros. A exposição tem como curadoras Yolanda Carvalho e Alessandra Cunha.
A Casa da Cultura localiza-se na rua Rui Barbosa, 348, Centro (Teresina-PI).
Para mais informações entre em contato através do e-mail: casadaculturathe@yahoo.com.br


Este evento é apoiado por:
- Floricultura Li
- Ropre arte final
- Fundação Cultural Monsenhor Chaves
- Prefeitura Municipal de Teresina

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diário de Bordo: Gravações em Paulistana

Na terça-feira passada (05) viajei rumo a cidade de Paulistana, ao sul do Piauí, um município com 17.859 habitantes, localizada no sertão piauiense, a 450km da capital Teresina. Paulistana é longe pra caramba, fica quase em Pernambuco!

Foram oito horas de viagem, tudo isso para a gravação de parte do meu documentário sobre paganismo e internet no Piauí. Para produzir esse documentário gravarei em seis municípios piauienses, e escolhi Paulistana para ser a primeira das cidades visitadas. Pretendo concluir o doc no máximo até maio, mas até lá creio que ainda tenho muitas aventuras a vivenciar. A seguir, compartilho com você um pouco do que vivi nessa primeira viagem de gravação do documentário.

CHEGANDO EM PAULISTANA

Saí de Teresina às 18:01h e só cheguei em Paulistana por volta de 02:20 da madrugada. A cidade estava deserta, e a chuva engrossava cada vez mais. A rodoviária de Paulistana era a última parada e lá, desceu apenas um casal comigo. 
O ônibus parou em frente ao Terminal Rodoviário Carleuza Cavalcanti, inaugurado em setembro de 1992, deixou os poucos passageiros e partiu. 

Lá estava frio, corri em direção da rodoviária e vi tudo escuro, como se estivesse abandonada, apenas três lâmpadas da frente estavam acesas. Logo perguntei ao casal se a rodoviária não funcionava durante a noite. A mulher olhou para mim com uma cara de surpresa e depois deu um leve sorriso, disse: 
" Meu filho, cê né daqui não, né? Essa rodoviária não funciona nem de noite e nem de dia!"
Eu, que não conhecia nada por ali, disse surpreso:
"Como assim?"
O homem que acompanhava a senhora (acho que era esposo) disse:
"Esse lugar está abandonado há uns dois anos, os ônibus apenas passam por aqui, mas já deixou de funcionar há algum tempo. Agora é uma rodoviária fantasma!"

Eu já estava bem cansado da viagem, estava receoso por não conhecer nada na cidade e ainda teria de ficar preso naquela rodoviária fantasma, porque a chuva estava bem forte e nem que quisesse poderia sair caminhando dali em busca de hotel. 

NOITE NA RODOVIÁRIA

Conversando com o casal que desceu do ônibus comigo, me deram a notícia de que todos os poucos hotéis e pousadas da cidade estavam ocupados, por conta dos funcionários que trabalham nas obras da ferrovia Transnordestina.

O melhor mesmo seria me conformar e ficar por ali, naquela rodoviária abandonada. Pelo menos tinham duas pessoas me fazendo companhia. Mas ao passar de uns 25 minutos, parou um carro em frente a rodoviária, buzinou e o motorista acenou para o casal, que entrou no veículo. Ao ver isso, disse para mim mesmo:

"Agora pronto, tô lascado de vez... meus deuses! Tô sozinho aqui nesse lugar escuro e sinistro, nessa chuva fria da desgrama, tomara pelo menos que aqui não tenha meliante"

Exatamente naquela noite fria, naquele lugar nada convidativo e desconhecido para mim, me vi diante de uma situação que deixaria muitos apavorados, e até eu confesso que fiquei um pouco assustado com o que estava acontecendo, mas tentei ver tudo com um outro olhar, assumi meu espírito aventureiro e depois de uns minutos refletindo sobre o que acontecia, comecei a gargalhar sozinho, apenas com a companhia das paredes sujas daquele lugar, que devolviam meus risos sob forma de eco.

Pensando bem, a rodoviária foi um ótimo lugar pra ficar, afinal, não tinha nenhum hotel vago em Paulistana, nem mesmo havia moto taxis para que eu buscasse um hotel naquela madrugada. Além disso eu não poderia incomodar minha entrevistada pedindo abrigo, fazendo ela sair na chuva, às 3:00 da madrugada. Toda a cidade já dormia, apenas eu assombrava o terminal abandonado, coberto e encapuzado com meu manto de cetim branco, que me serviu de agasalho contra o frio. 

Depois que o casal foi embora, coloquei meu manto e comecei a passear dentro da rodoviária, parecendo uma assombração, mas eu estava buscando apenas uma das salas vazias na qual eu pudesse colocar a minha mochila e passar a noite em segurança. 

A rodoviária não tinha nem mesmo um vigia e a sorte é que a maioria dos aposentos tinham portas que estavam abertas. Entrei em uma salinha onde funcionava um antigo salão da rodoviária, soube disso porque lá ainda tinha o nome do salão pintado nas paredes.

Pois bem, assim que coloquei a mochila no chão, um raio cortou o céu e iluminou a noite por um segundo, em compensação, a energia foi passear por algum tempo, deve ter sido o susto com o raio..rsrs
Naquela noite escura, a chuva fria de pingos grossos caía sobre o velho teto de flande do terminal e provocava um barulho infernal. 

O cenário era perfeito para gravar um filme do Zé do Caixão. Os raios rasgavam o céu, os trovões pareciam sermões divinos contra a humanidade. Apenas o barulho da chuva e o vento gelado me faziam companhia. Dormir... seria maravilhoso, mas não consegui. Peguei uma cadeira de madeira que estava na frente da rodoviária, a levei para o quarto e fiquei sentado nela. De vez em quando, ao ouvir um barulho estranho, me levantava pra ver o que era. Às vezes os barulhos lá eram tão esquisitos que eu fazia era me esconder mais. 

Foi assim a noite toda, tudo parecia interminável. A chuva não acabava nem ficava fraca. O tempo parecia ter congelado, assim como eu. A cada minuto que passava eu comemorava, ansioso pelo momento em que saudaria o sol no horizonte.

Solitário, após a longa noite na rodoviária, comecei a ouvir os pássaros cantarem, a chuva começava a dar uma trégua e os tons do céu se tornavam mais avermelhados. O sol estava chegando, mas apenas às 5:45 deu para ver o astro rei no horizonte. Dei vivas ao Deus Apolo e agradeci aos meus guardiões pela noite em segurança naquele "hotel" improvisado.

AMANHECER

É, depois daquela noite naquele lugar me senti feliz por estar vivo, e ainda estava bem disposto. Não posso dizer que acordei disposto porque não dormi, mas pelo menos amanheci disposto a dar o melhor de mim para que as gravações ficassem perfeitas. 

Antes de qualquer coisa procurei um lugar onde eu poderia comprar as passagens de volta para Teresina, mas depois de andar de um lugar pra outro por cerca de uma hora e ninguém me dar nenhuma informação consistente, resolvi procurar depois, porque estava cedo demais e eu tinha que comer algo. Como estava pertinho da rodoviária, voltei lá pra fazer xixi, aquele banheiro me dava náuseas, uma imundície só, mas era melhor que sujar as ruas. 

Paulistana é bem pequena, dá para andar tudo a pé, mas é bem bonitinha, com duas igrejinhas e praças típicas de uma cidade interiorana. O dia amanheceu e eu estava com fome. Procurei um lugar pra lanchar, comi bolo frito e tomei um café preto sem leite, mas para concluir meu lanche tive que disputá-lo com as muitas moscas que voavam no local. 

GRAVANDO

Depois de "encher o bucho", como se fala por aqui, saí caminhando pelas ruas da cidade e captando imagens para o documentário. Alguns transeuntes me olhavam estranhando o fato de eu estar filmando a cidade, ainda mais tão cedo da manhã. 

Depois de captar as imagens que queria e explorar um pouco a cidade, fui em busca da casa da minha entrevistada, uma simpática bruxa solitária, dona de um salão de beleza em Paulistana.

Gravamos em muitos pontos de Paulistana, no açude Ingazeiras, na igreja de Nossa Senhora dos Humildes, nas praças e em outros locais. A cidade tem paisagens encantadoras e o açude, apesar de criado artificialmente a partir de um desvio, é belíssimo.

Uma das partes mais engraçadas da gravação foi quando minha entrevistada se vestiu de bruxa e saiu andando pelas ruas de Paulistana, a gravação dessa cena atraiu a atenção de quem passava pela praça da igreja principal. Uns olhavam, colocavam a mão na boca como sinal de espanto, outros apenas sorriam, e outros balançavam a cabeça como se estivessem negando algo, só não sei o que era... rs

Terminei as gravações e a coleta de depoimentos por volta das 12:47h, e iria almoçar na casa da simpática bruxa Cida, mas logo recebi a informação de que o ônibus para Teresina só passava duas vezes por dia, por volta daquele horário ou cerca de 20:00h. Como não queria esperar até as 20:00h, me despedi de Cida e de sua assistente, a prestativa e alegre "Preta", que ajudou a gente nas gravações. 

RETORNANDO PARA CASA

Saí correndo em direção a BR onde me disseram que o onibus passava. Fui perguntando do pessoal pra saber onde exatamente o ônibus passava e finalmente encontrei um ponto de venda de passagens, dessa vez estava aberto. 

Me informei com os vendedores e recebi a péssima notícia de que teria de esperar até as 14:00h para pegar meu ônibus até Teresina, mas comprei a passagem logo, porque poderia ser bem pior, ao menos eu voltaria para casa no mesmo dia. Além disso eu já estava lá mesmo, preferi aproveitar e comprar a passagem, era o ônibus que ia demorar menos, apesar de ser a empresa mais cara e desconfortável. 

Fiquei esperando, "bêbinho de sono", comprei uma coca cola pra refrescar o calor e tentei me manter acordado. O ônibus se atrasou e só veio chegar lá às 14:45, entrei nele como se estivesse entrando em um quarto de hotel de luxo, mas na verdade aquele veículo era uma lástima. 

A viagem foi longa, desconfortável, quente e enfadonha, mas enfim cheguei em Teresina por volta das 23:00. Aqui estava chovendo, peguei um moto taxi na chuva mesmo e, ao chegar em casa, tomei um banho demorado pra tirar toda a sujeira. Caí na cama e só fui acordar meio dia... hehe, o que posso dizer é que todo o esforço até agora valeu à pena, porque estou satisfeito com as imagens que colhi em Paulistana. 

Nas próximas semanas viajo em mais uma aventura, dessa vez as cidades serão Piracuruca e Parnaíba, ao norte do estado. Todas as novidades posto por aqui assim que puder! Se você torce por mim, obrigado! agradeço muito todas as energias boas que me ajudam a ter forças e concluir esses projetos. Agradeço aos e-mails de incentivo, boa sorte e amizade, apesar de não ter tempo para responder todos com prontidão, saibam que fico muito feliz pela força! Abraços e até a próxima!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Professor de Férias

Chega ao fim mais um período de aulas na escola onde ministro aulas de rádio, pelo Projeto Mais Educação. Eu e os outros professores realizamos uma pequena mostra de encerramento e nos despedimos dos alunos. Ao longo do ano desenvolvemos várias atividades, cada um dentro da sua área de atuação. As professoras Sara e Letícia coordenaram as atividades de laboratório, Eduardo ficou com a parte de esportes, enquanto Luciano ficou responsável pelas hortas e eu pela parte de rádio e comunicação. Abaixo, fotos.

Acima, os alunos, na fileira superior, e os professores na fileira inferior
Acima, da esquerda para a direita: Letícia, Rafael, Sara e Luciano

sábado, 11 de dezembro de 2010

Envelhecendo

Sabe aqueles trabalhos complicados da universidade que consomem até a sua alma? Pois é, nessa semana fiz mais um desses, mas acho que o resultado ficou legal. O objetivo era criar um programa de TV e divulgá-lo com propagandas criativas e outras ferramentas de marketing.
Meu grupo elaborou um programa voltado para a terceira idade, chamado "Melhor Idade". Eu incorporei o personagem e como sempre paguei um mico básico. Tive que "envelhecer" pra gravar um vídeo de apresentação do programa fictício e também para tirar as fotos do outdoor fictício.

Acima, a foto do outdoor fictício, nas mãos, uma pílula de viagra. Na tela da tv, o logo do programa, ou seja, o velhinho (eu) teria mais uma opção de lazer ...rs

Abaixo, o vídeo que gravamos para um comercial de tv fictício. A ideia é mostrar um velhinho radical... na verdade o velhinho (eu) não é tão velho assim, mas a intenção foi boa... rs



Lançada a decoração de Natal de Teresina



Na noite dessa sexta (10) foi inaugurada a decoração de natal da praça Pedro II, centro de Teresina. A cerimônia foi apresentada pela jornalista Simone Castro. Durante o evento o prefeito Elmano Férrer e os secretários da prefeitura discursaram sobre a importância do natal.


Segundo o prefeito, a ideia é proporcionar um espaço de lazer para a família e fortalecer o "espírito natalino" do teresinense.

A presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Laurenice França, juntamente com sua equipe, foram os responsáveis pela nova decoração da praça, com a casa do papai noel, presépio de argila, estandes com produtos regionais, dentre outras atrações.

No primeiro dia, os visitantes puderam assistir a apresentações da Banda 16 de Agosto, balé da cidade e outras atrações. Até o dia 25 serão realizadas várias apresentações de corais, bandas e grupos de dança no local.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em busca do Som

Conseguir músicas para usar como trilha de um documentário não é nada fácil. O mais difícil não é nem achar as músicas, mas sim conseguir uma autorização para utilizá-las sem precisar pagar altas taxas por conta dos direitos autorais. 

Como sou um mero estudante de jornalismo e estou a produzir um documentário, não tenho condições de desprender altas fortunas para bancar compra de direitos autorais, por isso estou em uma verdadeira saga em busca de músicas que combinem com a temática que irei abordar e, além de tudo, sejam isentas de direitos autorais. 

Mas creio que dará tudo certo, quer dizer, já está dando. Parece até milagre, e realmente creio que os deuses tem um dedinho nisso. Eu estava despreocupado passando pelo centro de Teresina quando encontrei uma banda com músicas que combinam perfeitamente com a temática do meu doc. É a Banda Equatoriana "Raymikuna". 

Conversei com os integrantes e eles assinaram autorização para que eu utilizasse as músicas deles na minha produção. Estou feliz, mas ainda não estou satisfeito, pois precisarei de mais músicas instrumentais para sonorizar as cenas do doc, que abordará a relação dos pagãos piauienses com a internet. Caso algum músico esteja lendo este post e queira contribuir, fazer uma parceria, estou aqui, basta entrar em contato que a gente conversa! rs (mail: rafaellugh@gmail.com; fone: 869416 00 70)

Uma das instrumentistas da Banda Equatoriana Raymikuna e eu, com a autorização nas mãos! rs

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Conversando sobre folclore

Na noite de ontem (23) tive a oportunidade de participar de um seminário sobre folclore e lendas piauienses, juntamente com alunos de Letras/Português da Universidade Estadual do Piauí. A apresentação teve o objetivo de mostrar um pouco do contexto histórico, origens e simbolismos de alguns personagens míticos do folclore local. A seguir, as fotos do grupo.


Lourival, Camila Feitosa, Profª Celestina, Eu e Gabriel Ferreira

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Refletindo


"O rio que corre vai moldando seu percurso de acordo com o movimento da água contida nele, e eu, como um humilde aprendiz, o observo com respeito e admiração, na tentativa de capturar ao menos uma gota de sua imensa sabedoria"
Rafael Nolêto

Il Primo Tempio della Grande Madre Gea


Il mio amico Caetano Macchia mente di un tempio pagano in Italia. I complimenti per questo risultato. Desidero che gli Dei molto benedica questo risultato.
"Ieri sera, 21 Novembre 2010 alle ore 22.30 circa abbiamo avuto l'autorizzazione dal Caro Amico Franco di poter usufruire di una sua struttura da adibirsi come Primo Tempio in Onore della Grande Madre Gea" (Gaetano Macchia)

Carissimo amico Gaetano, congratularmi con voi per la vittoria che è la grande conquista del tempio. Sono molto felice per te, che è esempiare adepto del paganesimo. Questa è una conquista de tutti pagani della Italia e del mondo. Congratulazioni fratello!
Rafael Nolêto

domingo, 21 de novembro de 2010

Equipe Vooz

A nova equipe do portal vooz está formada, todo mundo empenhado para trabalhar muito, produzindo conteúdo e apurando o que acontece de importante na sociedade. E eu tô no meio, trabalhando junto com o pessoal. A seguir, a foto do povo todo junto!

Da esquerda para a direita: Wenner Tito, Kedna Alves, Júnior Morais, Idoval Graco, Marcio Ricelle e Rafael Nolêto

sábado, 20 de novembro de 2010

1º Encontro Afro-brasileiro pela Consciência Negra

20 de novembro, dia da Consciência Negra, um importante momento para discutir e relembrar a luta dos negros no Brasil. Essa data é comemorada em referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, um ícone da luta negra no nosso país.
Ontem (19) a Casa da Cultura de Teresina promoveu o 1º Encontro Afro Brasileiro pela Consciência Negra, idealizado pela diretora da casa, Yolanda Carvalho, em parceria com Adriana Galvão. Durante minha visita para a produção da matéria, encontrei por lá o pessoal da TV Antares e da TV Assembléia, que também estavam cobrindo a pauta. Abaixo, confira fotos e o vídeo!

 O simpático cinegrafista "Chefe", Eu e a dinâmica jornalista Larissa Neiva.

 Ao lado de Adriana Galvão, coordenadora de cinema, vídeo e fotografia da Fundação Monsenhor Chaves.

Com uma TV ligada e uma escultura me assistindo! Quem passava por lá podia gravar uma mensagem dizendo o que faria para melhorar o mundo.

Veja o vídeo!